quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Tradições

Brenha foi uma terra que viveu sempre praticamente da agricultura, mas outras actividades concorreram também para o seu desenvolvimento.
A produção agrícola era composta pelas culturas do milho, trigo, feijão, vinho, cebolas e batatas, mas as mais importantes eram o milho e o vinho.
Quanto ao milho, na década de 1930/40 produziam-se na freguesia de Brenha cerca de 130 toneladas de milho.
A cultura do milho diminuiu bastante e actualmente produz-se só cerca de 300 alqueires por ano.
No que diz respeito ao vinho, na década de 1940/50 os viticultores produziam para cima de mil pipas de vinho. Até se dizia: «Antes da época das chuvas há mais vinho em Brenha do que água».
Hoje praticamente não se plantam vinhas na freguesia.
Derivado à cultura do milho e ao elevado consumo diário de broas, fizeram tradição as Padeiras e as Broas de Brenha.
Vida árdua tinham estas padeiras que, ainda noite, quer chovesse, trovejasse ou estivesse bom tempo, lá vinham elas de Brenha montadas no cavalo, carregado com grandes cestos de broas, para as venderem logo de manhãzinha no mercado e noutros estabelecimentos.
Toda esta actividade decaiu por alturas da década de sessenta, com o advento dos monopólios de panificação na Figueira da Foz. Mas há no entanto ainda uma padeira, que para manter a tradição vem todos os dias vender ao mercado da Figueira a saborosa Broa de Brenha.
As Lavadeiras é outra actividade de tradição muito antiga (vem pelo menos de meados do século passado).
Em 1930 eram mais de 20 as lavadeiras de Brenha, que todas as semanas faziam a viagem à Figueira da Foz (às vezes ao Domingo, mas principalmente à Segunda Feira) para levarem às suas freguesas a roupa lavada, em grandes panais devidamente colocados no dorso das burras e trazerem a roupa suja para ser tratada durante a semana.
O rio de Cimalhas era o rio das lavadeiras de Brenha.
Outra actividade muito desenvolvida em Brenha era a Cal Gorda.
A elevada preponderância calcária nas terras de Brenha propiciou a implantação aqui do fabrico da Cal Gorda para ser usada na construção civil. Assim se construíram os fornos de Cal Gorda: dois fornos no sítio do “Forno Crelvo”, um na encosta Sul do “Vale das Alminhas”, outro no “Pouso” ou “Vigia” e no princípio do nosso século foi construído o Forno do “Laracho”.
De todos estes fornos actualmente só existem as ruínas nos locais indicados, estando só a ser explorada neste momento uma pedreira pela firma António Mariano e Filhos Lda.

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