Desta vez a Al-Qaeda não fez explodir nenhuma bomba. Nem matou ninguém. Mas ontem conseguiu uma vitória inédita. Obrigou a cancelar o Lisboa-Dakar, uma das provas desportivas de maior impacto mundial. A decisão dos organizadores teve que ver com o receio de que nas etapas na Mauritânia os concorrentes e comitiva fossem alvo de ataques terroristas. Em três décadas de existência, o Dakar (que começou por partir de Paris) já várias vezes foi vítima de conjunturas políticas. A alteração de percursos tornou-se até habitual, tendo em conta a instabilidade dos países que se atravessam no caminho dos pilotos. Mas o cancelamento foi sempre evitado. Até ontem.A luta contra o terrorismo é sempre desigual. Não existe linha da frente nem vale de muito o número de combatentes de cada lado. A Al-Qaeda tanto pode atacar no Magrebe como em Madrid ou Londres, como já aconteceu, e os militantes até terem sido criados entre as vítimas. Igualmente perigoso é ceder à chantagem. Porque se abre um precedente irreversível que reforça e motiva quem ameaça. A partir de hoje, os seguidores de Ussama ben Laden sabem que já não necessitam de atacar sempre. Por vezes, basta ameaçar. É uma derrota de todos, mesmo que o cancelamento seja compreensível como uma opção prudente e de bom senso.Cancelamento do Dakar é precedente perigoso
Desta vez a Al-Qaeda não fez explodir nenhuma bomba. Nem matou ninguém. Mas ontem conseguiu uma vitória inédita. Obrigou a cancelar o Lisboa-Dakar, uma das provas desportivas de maior impacto mundial. A decisão dos organizadores teve que ver com o receio de que nas etapas na Mauritânia os concorrentes e comitiva fossem alvo de ataques terroristas. Em três décadas de existência, o Dakar (que começou por partir de Paris) já várias vezes foi vítima de conjunturas políticas. A alteração de percursos tornou-se até habitual, tendo em conta a instabilidade dos países que se atravessam no caminho dos pilotos. Mas o cancelamento foi sempre evitado. Até ontem.A luta contra o terrorismo é sempre desigual. Não existe linha da frente nem vale de muito o número de combatentes de cada lado. A Al-Qaeda tanto pode atacar no Magrebe como em Madrid ou Londres, como já aconteceu, e os militantes até terem sido criados entre as vítimas. Igualmente perigoso é ceder à chantagem. Porque se abre um precedente irreversível que reforça e motiva quem ameaça. A partir de hoje, os seguidores de Ussama ben Laden sabem que já não necessitam de atacar sempre. Por vezes, basta ameaçar. É uma derrota de todos, mesmo que o cancelamento seja compreensível como uma opção prudente e de bom senso.
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